BONSAI | 22 de Julho 2021 | Júlia Duvoisin

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A expansão do Projeto Cidades Invisíveis para a Bahia

No sertão da Bahia, na comunidade do Raso, parte da cidade de Canudos, mais de 20 mulheres se transformaram em costureiras nos últimos dois anos. O que mudou a realidade dessas mulheres, que dependiam de trabalhos de subsistência na roça e auxílios de renda, foi um projeto social chamado Forte Severina.

O Forte Severina nasceu em 2019, com a vontade de Victor Hugo de proporcionar oportunidades e ferramentas para que as mulheres da comunidade do Raso conseguissem ser autoras de suas próprias histórias, gerando renda para suas famílias. E desde então, conta com uma força tarefa de mais de 20 costureiras, empreendedoras e empoderadas, que dedicam seu tempo, criatividade e muita habilidade para fazer seus produtos da melhor forma possível.

 

A motivação do Projeto Cidades Invisíveis de atravessar o Brasil para encontrar com as Severinas na Bahia, surgiu de um reconhecimento com as raízes de sua história: o Bonsai. 

O Bonsai é um dos principais pilares da agenda de ações do Projeto. Um espaço de capacitação integrada e de desenvolvimento humano, que visa aperfeiçoar as habilidades e gerar renda para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Em uma de suas unidades, na comunidade do Monte Cristo, em Florianópolis, o Bonsai atua com mulheres que querem fazer parte do setor têxtil e de confecção, muito parecido com o que acontece na Bahia. 

Com seus sonhos alinhados, o Forte Severina e o Cidades Invisíveis uniram-se para potencializar, exponencialmente, a transformação social que a moda já agrega na comunidade. O CI´s irá reformar um atelier, que será equipado com doze máquinas de costura e mesa de corte, onde mais moradores da comunidade do Raso poderão se aperfeiçoar nessa nova escola. O local será destinado ao corte e costura, porém, as sertanejas poderão participar das produções que acontecem no Forte Severina ou em outros lugares que as possibilitem novas ofertas de trabalho.

Imagens do atelier do Forte Severina - Foto por: Daniel Esteves

Mostra-se importante observar que as mulheres saíram da roça para costurar, mas isso não foi imposto à elas como única alternativa de renda. O Projeto Forte Severina identificou o potencial, porque muitas já possuíam máquinas de costura em casa e tinham o interesse em costurar. O que foi feito foi potencializar a estrutura para que essas mulheres pudessem exercer seu ofício. O nome desta forma de assistência é escuta social, onde ouve-se a comunidade e a partir de suas demandas, oferece possibilidades de transformação.

Casa na comunidade do Raso - foto por: Daniel Esteves

O Bonsai Bahia irá ampliar o número de pessoas capacitadas na região, além de oportunizar um espaço mais amplo e livre de ofício. Para Daniel Esteves, vice-presidente do Instituto Cidades Invisíveis, o espaço vai perpetuar o impacto na vida das mulheres que o Forte Severina já produz:

“ As mulheres me falaram que ganharam alguns quilinhos e que as suas peles ficaram mais claras, porque antes, elas passavam muito tempo na roça debaixo do sol, exercendo um trabalho muito pesado. Hoje elas fazem um trabalho delicado com a máquina, e fazem muito bem. Se adaptaram com excelência com a possibilidade de um novo ofício. Elas estão conseguindo mudar a vida de suas famílias e realizar alguns sonhos: construíram banheiro, estão pintando suas casas, compraram geladeira, etc. O atelier devolveu a autonomia dessas mulheres”. Daniel Esteves.

Daniel Esteves na Bahia - Vice-presidente do Instituto Cidades Invisíveis

A expansão significa para o Projeto Cidades Invisíveis uma nova conquista. Cruzar as fronteiras para estabelecer uma sede em Canudos e apoiar um Projeto tão importante quanto o Forte Severina, significa que o trabalho que está sendo feito está dando muito certo, e por conta dele, será possível potencializar mais ainda a transformação e o empoderamento das mulheres do Raso.

Casas do Sertão e carneiro - Foto: Daniel Esteves.

Júlia Duvoisin

Estudante Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Redatora do Projeto Cidades Invisíveis

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