ARTE | 30 de Julho 2021 | Júlia Duvoisin

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I Concurso Literário do Projeto evidência a realidade das comunidades brasileiras

Cada canto da cidade reflete o presente, passado e futuro do ser humano, são espaços que carregam consigo uma história singular para cada pessoa que os vive e interpreta. Assim como no livro de Ítalo Calvino “As Cidades Invisíveis”, as comunidades em situação de vulnerabilidade social contam suas próprias histórias, arquitetadas para viver a humanidade por excelência. O Primeiro Concurso Literário do Projeto nasceu com a vontade de mostrar as belezas e os mistérios de lugares que são historicamente escondidos e invisibilizados, seja por sua geografia ou composição social.

Crianças compartilhando leitura - Foto por: Samuel dos Santos

O Concurso foi inaugurado em maio, exclusivo para moradores de comunidades em todo o Brasil, quando discussões sobre a taxação de livros estavam em alta. Uma das justificativas da Receita Federal para elevar a carga tributária, era de que famílias com renda até dois salários mínimos não consumiam livros não didáticos, e que a maior parte desses livros eram lidos por famílias com renda superior a dez salários mínimos.  Em resposta a favor das classes desfavorecidas, fizemos o pré-lançamento do concurso com um vídeo em conjunto com o poeta Preto Lauffer, evidenciando a realidade intelectual dos morros e comunidades:

Video promocional feito em parceria com @pretolauffer @coraa_fotografia @Juliaduvoisin @oraa_design

No total foram mais de 100 inscritos, de todas as regiões do país, com a esperança de conseguir se qualificar para fazer parte de um livro com os 20 melhores contos produzidos, além de ganhar prêmios em dinheiro. O Projeto também está oferecendo ao longo do mês de julho, oficinas de escrita para dar bases literárias e criativas aos envolvidos. Samantha Buglione, escritora e uma das primeiras pessoas a construir a ideia do concurso, conta que ser professora está sendo uma experiência muito especial em sua vida:

“ Em certa perspectiva acredito que o Revelando as Cidades Invisíveis sempre existiu. Desde quando conheci o Projeto, o livro do Italo Calvino explodia em mim, era quase uma obviedade ter este tipo de iniciativa. Ter um local de escuta, diversidade criativa, marginal, subversivo, com possibilidade de mostrar que a arte se constrói, independente de formação e perfeição. A arte vai existir pela força de um desejo, então o concurso nasce de um desejo de mostrar a vida e está sendo um presente para mim”. -

Foto por: Samuel dos Santos

O concurso busca escritores que mostrem a realidade não contada das comunidades brasileiras, assim como Carolina Maria de Jesus, autora do livro “Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada”. Realidades essas que podem ser belas, mas só são percebidas por quem as vive de todas as formas sensoriais. Autor nenhum poderia escrever melhor estes contos senão eles.

Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de despejo” Foto por: Desconhecido

Roberto Santos, de Belém do Pará, viu no Concurso uma forma de se reencontrar:

“ A escrita hoje representa o meu reencontro. O meu caminho que havia ficado para trás. Quando estou escrevendo ela se torna a atividade mais importante no meu mundo, não há nada em que eu me doe mais do que o ato de escrever. Com as oficinas estou modificando o olhar que lanço sobre a Cidade e acabo modificando a cidade com o meu olhar”.

Os contos do Concurso Revelando as Cidades Invisíveis vão evidenciar o valor da linguagem para a formação das cidades e para sua preservação. Transformar em escritos os lugares que são invisíveis, faz com que eles vivam um pouco mais, com que eles residam por mais tempo no imaginário de cada um. 

“Sejam frágeis ou sólidas, as cidades só se sustentam, só ganham vigor e utilidade pela presença humana, pela narrativa, pelo diálogo, pela interpretação dada a elas pelo homem, pela relação afetiva do ser humano com o espaço que o circunda”. - Tamy Ghannan.

Júlia Duvoisin

Estudante Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Redatora do Projeto Cidades Invisíveis

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