SOCIAL | 10 de Agosto 2021 | Júlia Duvoisin

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no email

Projetos sociais esportivos garantem pódio nas Olimpíadas de Tóquio

Nas Olimpíadas de 2021, em Tóquio, o Brasil terminou com sua melhor posição da história no quadro de medalhas, com 21 no total. Porém, antes de subir no pódio, os atletas vivenciaram um ciclo olímpico desfavorável, com corte de R$350 milhões no investimento público no esporte, além do sucateamento do Bolsa Atleta, que não sofre reajuste desde 2010. Com atuação cada vez menor do governo federal, os projetos sociais esportivos transformaram-se em portas de entrada para talentos que obtiveram destaque dentro do pódio de Tóquio 2021.

Alisson dos Santos, medalhista dos 400 metros com barreira, Rebeca Andrade, vencedora na Ginástica Artística, Hebert William e Abner Teixeira no Boxe, são todos exemplos de pessoas que encontraram em projetos sociais a possibilidade de mudança por meio do esporte, levantando questionamentos sobre a valorização e o investimento no desporto no Brasil.

Alisson dos Santos, Rebeca Andrade Hebert William e Abner Teixeira com suas duas medalhas - Fotos: LINDSEY WASSON, VALDRIN XHEMAJ, REUTERS

Para Eduardo “Cachorrão”, campeão brasileiro e fundador da Escola de Boxe Eduardo Cardoso, local onde crianças e jovens do Morro da Providência praticam a modalidade de forma gratuita, a falta de incentivo é desafiadora:

“O poder público não incentivar o esporte é triste. É investido dinheiro no Futebol, um esporte coletivo, comercial e de adesão popular, porém, quando pegamos o quadro de medalhas das Olimpíadas, o futebol concorre a duas medalhas. Se esportes como o Boxe tivessem incentivo e investimento, o Brasil conseguiria disputar com maior competitividade 12 medalhas no quadro Geral em somente uma modalidade, mais da metade do total de medalhas que ganhamos este ano”.

Fotos: Arquivo do Projeto

A Escola de Cachorrão, a qual o Projeto Cidades Invisíveis apoia e patrocina, tem como principal objetivo influenciar a vida social dos participantes, auxiliando no convívio em comunidade e fortificando os valores morais. Desta forma, busca diminuir a participação de crianças e adolescentes na criminalidade na Providência. Eduardo encontrou no esporte a sua salvação e quer levar aos seus alunos o sonho de ser um agente ativo na transformação da sociedade por meio do Boxe.  

Foto: Samuel Dos Santos

Longe dali, a Academia Champion, em Salvador, revelou alguns dos maiores boxeadores brasileiros. O Instituto Edson Luciano Ribeiro, no interior de São Paulo, descobriu nomes da elite do atletismo no país. Já o projeto social de iniciação ao esporte no Ginásio Bonifácio Cardoso, em Guarulhos, trouxe às Olimpíadas atletas da Ginástica Artística.  O êxito dos projetos sociais que incentivam o esporte, especialmente em áreas com poucas condições para o exercício das modalidades,  precisa ser reconhecido. Porém, a realidade brasileira é de precarização e falta de investimentos nos âmbitos esportivos, tal que mesmo os projetos sociais de incentivo ao esporte passam por dificuldades. 

Criança treinando LPO no no Bairro Educador da Mariquinha - Florianópolis Foto: @Coraa_fotografia

O Projeto Cidades Invisíveis acredita que apoiar iniciativas como a Escola de Boxe de Eduardo, significa investir no futuro das crianças que moram em comunidades em situação de vulnerabilidade social. Vemos o esporte como uma das principais ferramentas de transformação.  A valorização no esporte no Brasil, para além da conquista de medalhas em competições, pode mudar a vida de milhares de pessoas.

Júlia Duvoisin

Estudante Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Redatora do Projeto Cidades Invisíveis

Fique sempre por dentro!

Gostaria de receber nossa newsletter atualizada com todas as atualizações do que está acontecendo no projeto?
Basta colocar o e-mail abaixo e assinar!

Deixe um comentário